26.10.2021

Ícone da cultura gay apresentado em mais de 20 países, espetáculo Naked Boys Singing! estreia em outubro no Teatro Sérgio Cardoso

Ícone da cultura gay apresentado em mais de 20 países, espetáculo Naked Boys Singing! estreia  em outubro no Teatro Sérgio Cardoso

Após duas estreias adiadas, o musical ‘Naked Boys Singing!’ estreia na Sala Paschoal Carlos Magno, seguindo as normas sanitárias do Estado de São Paulo

 

O espetáculo conta com apoio do ProAc de Incentivo ao Desenvolvimento da Cultura Popular, Tradicional, Urbana, Negra, Indígena e LGBTQI+

Naked Boys Singing! é um espetáculo de teatro musical, ícone da cultura gay, que estreou no Hollywood´s Celebration Teatre, em Los Angeles nos Estados Unidos, em 1998, e que posteriormente foi montado em New York, onde se tornou o segundo musical mais longevo off-Broadway. Produzido em mais de 20 países, desde a sua estreia sempre esteve em cartaz em algum lugar do mundo. Em 2020 o espetáculo estava em cartaz em Londres, mas teve que ser interrompido devido a pandemia do novo Coronavírus. 

 

No Brasil, a montagem nacional chega ao Teatro Sérgio Cardoso - Sala Paschoal Carlos Magno, equipamento vinculado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e gerido pela Amigos da Arte. A temporada estreia presencialmente no dia 16 de outubro, sábado, às 19 horas.

 

Naked Boys Singing! é um espetáculo de teatro musical, com músicas pujantes, tocadas ao vivo por um ator/pianista e defendido com energia e vitalidade por dez atores/cantores/bailarinos, além de uma equipe criativa com nove artistas. O espetáculo é dividido por 15 atos musicados, que abordam temas distintos relacionados ao corpo masculino, do cômico nonsense ao drama.

 

Segundo o diretor Rodrigo Alfer, a pele exposta em 2021 no musical terá um significado mais amplo e poético, principalmente pelo momento de pandemia em que fomos obrigados a nos cobrir, e temermos o corpo e contato com o outro. O musical além de libertador será uma celebração à vida.  

 

O Musical

 

Naked Boys Singing! Possui a estrutura de um gênero que surgiu na França no século XV, o Vaudeville, nele artistas se apresentavam através de números musicais, de dança, acrobacias, mágicas, atletas, grupos ciganos e números com animais. No seu início, os espetáculos eram apenas dirigidos para homens, pois seus números eram considerados grosseiros e chulos. 

 

No século XIX nos EUA e Canadá ganhou contornos de comédia ligeira e foi a principal forma de entretenimento da classe média burguesa tornando-se uma diversão para toda a família. No Brasil houve uma junção entre os termos que pode ser encontrada como opereta, variedade e teatro de revista. 

 

Diferente de seu intuito inicial, que era somente entreter a burguesia, Naked Boys Singing! joga luz em temas como, circuncisão, masturbação, HIV, ereção involuntária, corpo padrão, gordofobia, pornografia e outras surpresas, além, é claro, de falar de amor. 

 

Em breve, dia 15 de setembro,  Naked Boys Singing! abrirá temporada em Las Vegas - EUA.

 

O nu masculino na arte

 

Na história da arte figurativa, o nu existe desde os primórdios, foi praticado em diversas culturas como egípcias e assírias. Ao buscar um recorte em nossa cultura ocidental para o corpo masculino, é possível encontrarmos a forma de como foi retratado. Na Grécia antiga, berço de nossa civilização, esteve presente tanto nas artes quanto na mitologia, onde encontramos seres com figurações masculinas e fálicas, como é o caso do deus Príapo. 

 

Com o passar do tempo, o corpo nu masculino entrou para os estudos de anatomia, onde se fortaleceram nas instituições de arte e deixaram de ser algo provocativo, sendo retomado nos anos sessenta através de performances artísticas. 

 

No Brasil, o espetáculo musical americano Hair, que em 1969 esteve em cartaz na cidade de São Paulo, com atores hoje consagrados, como Ney Latorraca, Antônio Fagundes e Sônia Braga, é considerado o primeiro espetáculo teatral com nu frontal coletivo, seguido por espetáculos do Teatro Oficina e por Raul Cortez que verdadeiramente fez o primeiro nu frontal masculino do teatro brasileiro, no celebrado espetáculo O Balcão, de Jean Genet.

 

Após esse período, o nu, principalmente o masculino, foi perdendo a sua força no que se diz respeito ao seu uso nas artes, e praticamente se tornou um tabu. Diferente do corpo feminino que sobreviveu, mas a serventia de um mundo patriarcal e machista. 

 

Muito se fala da nudez gratuita ou de sua conotação mercadológica para se vender ingressos. Também se é dito que o nu ficou no passado e que ninguém mais se interessa. Com o advento da internet e da pornografia a mão de quem quiser, o nu foi atrelado a uma categoria menor, colocado num nível abaixo até mesmo por artistas. 

 

Ficha Técnica 

 

Idealização: Robert Schrock

Versionista: Rafael Oliveira

Direção: Rodrigo Alfer

Assistente de Direção: Manu Littiéry

Assistente de Coreografia: João Hespanholeto

Direção Musical: Ettore Veríssimo

Assistente de Direção Musical: Gabriel Fabbri

Direção Coreográfica: Alex Martins

Preparação de Elenco: Érika Altimayer

Cenário e Figurino: Daniele Desierrê

Desenho de Luz: Gabriela Araújo

Desenho de Som: André Omote

Copista: Rafael Gamboa

Produção e Cenotecnia – Alexandre de Marco

Produção: Cícero de Andrade

Produção Bacana Produção Artísticas & Mosaico Produções

Elenco: André Lau, Aquiles, João Hespanholeto, Luan Carvalho, Lucas Cordeiro, Raphael Mota, Ruan Rairo, Silvano Vieira, Victor Barreto, Tiago Prates e Gabriel Fabri - Pianista

Fotos: Caio Gallucci

 

Serviço
Naked Boys Singing!
Teatro Sérgio Cardoso - Sala Paschoal Carlos Magno Temporada: 16 de outubro a 19 de dezembro. Sábados, às 19h; e domingos, às 20h
Ingressos: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia-entrada)

Duração: 80 min
Classificação indicativa: 16 anos 

 

Por Appa
Adm
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