Memória e Preludiando – Ballet Stagium – 46 anos

Memória é um trabalho de resgate da produção artística do Stagium ao longo destes 46 anos. Tomando como fio condutor o sistema coringa, os bailarinos se transportam para algumas das propostas do Stagium exploradas desde a sua fundação em 1971. De obras como Jerusalém, de 1974, que recebeu na época o Grande Prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), o espetáculo dá um salto para Kuarup, de 1977, que denuncia o genocídio das nações indígenas no Brasil. Na sequencia, obras como Coisas do Brasil, de 1979, e “Saudades de Elis” de 1997, além de produções que evocam as músicas de Piazzola, Ary Barroso e Chico Buarque, também compõem esta síntese da história do Stagium. É o Stagium em constante transito entre tradição e ruptura, resgatando a si próprio numa emocionante viagem no tempo.
Preludiando, de 2016, é mais do que uma coreografia, é uma tomada de posição. Nesta obra a prioridade está nos bailarinos e nos movimentos que eles desenham no espaço com a força e emprenho. Preludiando chama a atenção para a maneira de lutar pela sobrevivência sem abrir mão de seus valores. Décio Otero e Márika Gidali nos fazem olhar para um traço fundamental na linguagem que vem desenvolvendo há 46 anos, que coletaram nos encontros do Staguim com um Brasil que ainda não havia tido contato com este tipo de dança. Nesse momento, o Stagium reafirma as escolhas que pavimenta o seu percurso ao resgatar o compositor brasileiro Claudio Santoro do esquecimento no qual tem sido mantido.